segunda-feira, março 05, 2007

Em meio minuto

Não havia manhã em que não se levantasse mais cedo que o necessário. Uma hora mais cedo, propositadamente, para a ver passar do outro lado da rua, em frente à janela de sua casa. Ela ocupava um apartamento uma vintena de metros abaixo de si. Via-a a sair e durante o meio minuto que a rapariga demorava a atingir a transversal, e a desaparecer, permanecia deslumbrado. Nesses escassos momentos, percorria-lhe as curvas do corpo com o olhar e registava todo o vibrar associado ao seu andar. Qualquer peça de roupa se tornava elegante ao assentar sobre ela e, por mais que tentasse, não conseguia decidir quando a vira mais bela. Era sempre diferente, mas sempre perplexamente deslumbrante. Após a perder de vista, continuava na varanda fitando o último ponto onde ela estivera ao alcance da sua vista. Por vezes chegava a pensar que, naquele preciso local, a luz, sempre tão apressada, desacelerasse para valores absurdamente baixos, ali retida por mais alguns instantes, para também ela fixar a beleza da rapariga.

domingo, março 04, 2007

Despertar

Cada vez eram menos os dias que começavam com vigor. O espreitar para além das cobertas que o abrigavam do ar frio da noite fazia-se perante um custo enorme. Tempo houvera em que as horas que teria por diante o despertavam de imediato. Punham-se na linha da frente as tarefas que iria realizar, organizando-se elas por prioridades de modo natural. Agora, todo esse processo requeria uma consulta de memória lenta e custosa. Alguns pontos gerais emergiam lentamente. Os detalhes permaneciam soterrados por lama encefálica, com os fios condutores aos princípios gerais e de prioridade em profuso rendilhado. O caminho que o levava até à arrumação dos pensamentos tornava-se tortuoso, com demoras, altos e baixos, esquecimentos e negligências, que resultavam em confusões e perdas de horas preciosas.
De quando havia entrado nesta via restava-lhe uma ténue lembrança. Talvez que fosse coisa para se arrastar há meses mas, no entanto, em nada estranharia se lhe dissessem que já eram anos. Tinha sim presente o facto de a busca interior dos porquês lhe ser indiferente. Considerava indiferente à falta de qualificativo mais desprezível.

sábado, março 03, 2007

Interacção

No decorrer dos anos acabou por desenvolver um sistema de restrição social. Em tal domínio fechava-se para proteger a notória incapacidade de estabelecer contactos pessoais. Quando dentro desse sistema, a proximidade de outras pessoas desencadeava uma rápida reacção de exclusão que o afastava da interacção com terceiros. Assim decorriam horas infindas de observação. Procurava recolher o máximo de informação acerca de tácticas e temáticas de aproximação. Dentro da sua cabeça desenvolvia-se um esforço enorme para sistematizar os dados recolhidos, com vista a uma futura aplicação. Quando, ainda não definira.
A cada momento decorrido, os centros de acção pediam-lhe para entrar em campo e usufruir do conhecimento entretanto adquirido. De modo cauteloso, os decisores mantinham-nos inactivos, expectantes. Recolhiam sempre mais informação, que nunca se considerava suficiente. Nos espaços de armazenamento, ela era emparcelada e compactada, por ordem de captação e definição para consulta dos modelos mais recentes, havendo sempre alguns moldes de antigos, mas considerados eficazes, que permaneciam em destaque.
Desta situação resultava uma enorme tensão, com os centros de acção a pressionarem os decisores para que ordenassem aos espaços de armazenamento a disponibilização de toda aquela informação em formato de execução. Questionavam ainda, e de forma constante, os armazenadores quanto à possibilidade de execução da sabedoria. Por outro lado, e perante esta inquirição, estes últimos acabavam por ajudar a sobrecarregar os decisores com as perguntas dos centros de acção. Em adição, os decisores deviam também manter exteriormente uma tranquilidade assimiladora para que não lhes fugisse nada de importante.
Perante isto eram inevitáveis os atritos e que muitas vezes, após prolongada duração, desencadeavam um processo de descontrolo interno. Os decisores ficavam impossibilitados de colher com precisão determinantes dados sociabilização e, simultaneamente, permitiam acções irreflectidas que nada contribuíam para a serenidade desejada na tarefa. Numa primeira fase, desencadeava-se a interrupção, ou deformação, da via de recepção e captação, necessariamente passiva, caracterizada por uma introspecção aparente. Posteriormente, a irreflexão dos actos exteriorizavam o colapso que decorria no âmago do sistema. Em regra, materializava-se acessos de raiva dirigidos a objectos alheios, ou por vezes, caros a si, podendo também ocorrer auto-punição, física e psicológica. Nos casos mais extremos, os quais evidenciavam o total colapso da estrutura de controlo e percepção, e à qual apenas ficava blindada a parte central de armazenamento e execução de acções, o alvo de agressão tornava-se a próprio fonte de conhecimento ou o objectivo de aproximação.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

oh pá, oh pá, oh pá...

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Subi

E subi e subi e subi...
Molhei-me e encharquei-me mas subi ainda mais: "Ah, lá em cima é que vai ser! Deve ser um espectáculo!"
E do cimo do Pico da Vara via-se tanto...



quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Alguma vez teria de ser!

Inicei a caminhada que me levará até à obtenção do documento que atestará a minha aptidão oficial para a condução de veículos.
Ontem pelas 19.oo (+01.00 GTM) estive presente na primeira aula de código.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Reacção

As notícias chegam rápidas lá acima e os avisos não demoram muito.
Ontem fomos avisados por ele...

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Tema fracutante: a estética da galocha.

O anterior post parece ter suscitado ampla reacção da parte dos leitores (sim, esses todos!) deste blog.
Embora agradeça todas as sugestões de ordem estética sobre galochas (e parece que há por aqui 'n' entendidos no assunto), tenho em mim que não se adequam muito! Penso que as tradicionais cores escuras, que vão do verde tropa ao preto, serão melhores. Não se trata de desgostar das cores e padrões aconselhados mas talvez às vacas e aos priolos não apreciem. Nestes casos poderiam ocorrer reacções extemporâneas da parte de tais seres, as quais poderiam ir dos coices, da parte das vacas, e ataques por via de bicadas, por parte de assombrosos bandos de priolos!
No entanto , tenho andado a pensar na sugestão do caro ledbetter. Talvez possas adicionar ao prémio um café e um cigarrito, não?!

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Calçado

Na ânsia de melhor me integrar neste cantinho do mundo sinto-me tentado a entrar na moda local. Para tal, penso comprar umas botas de cano alto de borracha. Uns botins. Vulgo, galochas.

Aí é que vai ser! É pô-las logo após vestir as calças e só as retirar imediatamente antes de despir essas mesmas calças!

Feliz e contente, todo o santo dia a galochar!

Ó faz-favor, eram 5milhões p'á pluralidade!

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Amizade, amigos, amiguinhos ou...mais uma desculpa para a embriaguez

Hoje, Dia dos Amigos.
De hoje a oito, Dia das Amigas.

Curiosidade, sinto-a dentro de mim.

Preguicite crónica

Bate leve, levemente...
Levemente, o camandro! Uma ventania com uma força desgraçada. Tal a tormenta que abriu a porta da varanda do quarto.
Não fosse a papelada dispersa por cima da mesa nem me teria dado ao trabalho de me levar do quentinho da cama para fechá-la.

sábado, janeiro 20, 2007

Estrela de Cinco Pontas

Uma estrela ao nascer
É expansão em luz e brilho e ser
Uma flor a florir, é como o sol no teu olhar

Uma chama imensa, um fogo eterno
Incandescência em turbilhão

Sou eu quem canta, eu quem dança
O corrupio de um coração

Uma estrela ao nascer, traz um desejo
Um sincero querer, neste céu a luzir
Mapa divino a decifrar

Como uma crença, um longo apelo
A permanência da paixão

Sou eu quem canta, eu quem dança
Mas é teu, meu coração

E este desejar, que não acaba não, louco procurar,
De algo que não seja em vão

Uma estrela sem querer,
Influi na vida no profundo ser,
Com o seu reluzir Astro distante a flamejar

Como uma dança, um fogo eterno,
A incandescência da paixão

Sou eu quem lança um longo apelo
Ao corrupio do coração

Este desejar que não acaba não, venho procurar,
O algo que não é em vão.

Dazkarieh, por Baltazar Molina

quinta-feira, janeiro 18, 2007

11horas para a primeira semana!

Instalei-me nas águas furtadas na casa da D. Leontina depois de gorada possibilidade de partilhar casa com pessoal.
Por galochas e ir para a serra abrir os pulmões.
Janus para snooker acompanhado de uma Especial e ter de fumar na sala do lado.
Furnas e banhos de água quentinha (não há esquentador que emane tamanho odor a enxofre).
A cidade ainda está por visitar.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Pró Atlântico na 5ª!

Já pedi o roaming e troquei dinheiro. O visto também já cá canta. Agora só quero encontrar quem me arranje o dicionário de açoriano!

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Faltou o guito, amigo!

Apesar disso, e face à insistência, aqui te digo que ainda tenho fermento de padeiro a fermentar no estomago!
Um abraço, politicamento correcto de Bom Natal, de Boas Festas para ti que estás na quase ilha!

quinta-feira, agosto 31, 2006

Alheamento

Deixou-se ficar sentado naquela sala mal iluminada. O seu olhar perdia-se na imensidão da parede branca em sua frente. Mirava e remirava cada ponto da parede como se cada ponto, igual ao anterior, tive a sua particularidade. Enconsto-se contra a almofada que havia nas suas costas. Afundou-se nela e procurou a melhor posição. Ficou-se na semi-escuridão a fixar a parede. Não havia som que lhe chegasse aos ouvidos. Não se pressentia qualquer movimento para além das quatro paredes que o rodeavam. Pela cortina que cobria o que pensava ser uma janela à sua direita entrava uma ténue luz e que lhe permitia ver o branco das paredes. Deixou-se estar.
Não tinha noção de quanto tempo teria passado naquela divisão. Uma hora. Duas horas. Quatro horas. Não sabia. Continuava na mesma posição, recostado. Apenas sentia o tenuíssimo movimento do peito ao respirar. De quando em quando apercebia-se do bater do seu coração. O olhar, esse continuava a deambular pelo vazio da parede em frente. Era algo de bizarro aquele compartimento e a sua presença nele. Continuou naquela imobilidade.
O tempo seguramente que passava. O tempo sempre passa, nunca se detem por razão alguma. O seu organismo não se queixava de nada e de nada, talvez, se apercebia. Apesar de não ter feito qualquer movimento não sentia necessidade disso. Nem para desentropecer as articulações. Como se ao longo daquele tempo as tivesse exercitado regularmente para não emperrarem quando fossem precisas. Não havia movido um dedinho do pé, nem um dedinho da mão. Igualmente estranho era ainda não ter sentido vontade de ir a uma casa-de-banho ou de comer. De alguma forma o seu corpo abdicára de necessidades, talvez.
Continuou sentado. Sempre na mesma posição. A respirar. Com o coração a bater. A olhar a parede. Parado. Tinha a nítida sensação de que mesmo querendo não lhe teria sido possível mexer. Nada o demoveria daquela inércia. Assim, prosseguiu no estado letárgico que se estendia já por um tempo indeterminável. Também a luz que entrava não sofria alteração de intensidade. Mínima que fosse. Não sentira correr a mais insignificante corrente de ar no quarto e a cortina que parecia ser bastante leve não se movera. Na sua cabeça, estava num quarto interior, pois caso contrário, face ao tempo a que julgava estar ali, já seria noite. Pelo menos a luz já teria enfraquecido com o declinar do dia.
Segundo, minutos, horas. Possivelmente muitas horas. No entanto, não sentia tédio algum por toda aquela inactividade prlongada. Não tinha necessidade de se levantar, de se mover, de mudar de posição. Era-lhe evidente que poderia, ao menos, deslocar-se até à cortina e espreitar o que haveria para lá daquele compartimento. Continuou sentado. Não teve mesmo qualquer intenção de se deslocar. Foi um pensamento no estado puro. Sem nenhuma ligação com centros motores do corpo. E continuou a olhar a parede.
Manteve-se assim, nada mudava. A parede continuava parcamente iluminada e os seus olhos a percorrê-la. Colhia-lhe todos os pormenores inexistentes. Unicamente o branco, sem variantes de tom. Apenas branco liso e uniforme. No entanto, mantinha a sua observação ininterrupta.
O tempo passava. Continuava sentado. A parede estéril no olhar. O tempo passava. Corria ou andava? Era-lhe indiferente, ali na sua imobilidade. Sem um esgar da face. Um espirro, um bocejo, um tossicar. Nada. Zero. Limitava-se a estar naquele compartimento e a olhar.

quinta-feira, agosto 17, 2006

Bom,

E aqui me encontro eu, sentado, à espera, meio perdido e sem saber o que fazer. Talvez mesmo sem sentir o que fazer.

terça-feira, agosto 01, 2006

Remoção

Cravo as mãos sobre a esquerda do meu peito e pressiono com crescente força até sentir a carne penetrada pelas unhas. Fundo, cada vez mais fundo e sinto o sangue quente começar a escorrer por mim abaixo. Mobilizo todas as forças e continuo a enterrar as unhas. É tal o afinco com que o faço que me apercebo que os nós posteriores dos dedos já estão a entrar carne adentro e a tocar as costelas. Reteso os músculos do peito e forço mais as mãos a entrar na carne. Rodeio duas costelas com cada uma das mãos. Duas costelas sobre o coração. Afasto-as e com elas mais mais um pouco da carne do peito. Oiço o estalar dos ossos e institivamente olho para a proveniência do som. Arrepio-me com a cratera que provoquei em mim. Não esmoreço apesar da dor intensa que me alaga. O caminho para o coração está mais aberto que nunca. Obrigo-me mais ainda a abri-lo. Até que as mãos entranhadas na carne quente podem alcançar a pulsão de toda a minha vida. O motor, a fornalha.
Agarro no meu coração e sinto-o bater entre as mãos trémulas. Sinto o seu bater. Sangue que entra, sangue que sai. Vida que se recicla a cada batimento. Puxo-o. Puxo-o com todas as minhas forças e sinto-o cá fora. Tirei o coração do peito. Desprovo-o de todos os tubos que me alimentam. Impeço-o de renovar a minha vida. Será momentâneo. Olho-o ainda a pulsar entre as mãos. Falta pouco. Reuno toda a coragem, que ainda vai circulando em mim, nas minhas mãos e rasgo o coração. Introduzo-lhe os dedos bem lá dentro. Bem lá no fundo. Esgravato, rebusco, procuro, arranho.
Vou retirando pedaços e pedaços de uma substância quente e melosa. Retiro tudo aquilo que te poderia dar mas que apodrecia dentro do meu coração. Retiro aquilo que se disseminava e me apodrecia o corpo. Retiro-te de mim. Retiro o amor. Retiro o amor por ti. Retiro para nunca mais o sentir. Por ti, por mais ninguém. Acabou-se o amor que nunca era depositado, que sempre foi recusado. Estou mais leve. Mais frio. Mais morto.
Volto a ligar os canais de entrada e saída do sangue. Agora um sangue mais reptiliano. Um sangue frio. Reponho o coração na sua cavidade. Deito-me e deixo a ferida sarar. Será mais rápido sem o calor que fazia as carnes ebulir.

quarta-feira, julho 26, 2006

Descanso

Entrou no apartamento que alugára faziam agora quatro meses e meio. Havia sido uma tentativa de reinício. Seria a derradeira vez que tal aconteceria. Não tinha rescendido o contrato de arrendamento com o seu senhorio. De qualquer modo, na próxima moradia os advogados, caso viessem a ser chamados, e o juíz, por conseguinte, não o poderiam contactar.
Pousou a mala que transportava a tiracolo sobre o velho sofá negro e dirigiu-se ao quarto. Um diminuto compartimento desprovido de beleza e bom-gosto. Apenas uma curta cama de corpo- e-meio sem companhia de uma mesa-de-cabeceira, que para isso está lá o chão, uma mesa de cozinha meio desengonçada e a respectiva cadeira, a fazer as vezes de escreveninha, que em frente tinha um pequeno armário, para as suas roupas que gritavam por substituição, ao fundo da cama. Dirigiu-se à janela única do quarto e fechou-a, descendo-lhe as persianas. Nunca mais olharia as traseiras do prédio do outro ladop do beco. Um bloco gigantesco de curtíssimos apartamentos de baixo preço e qualidade sofrível, que lhe permitia ver a luz do dia das doze às quatorze. Um grande trabalho urbanístico! Aproximou-se do aquecedor a gás e ligou-o. Saiu em direcção à sala e voltou com um segundo aquecedor a gás que colocou, lado a lado com o anterior, ao fundo da cama. Acendeu-o também e regulou ambos a dois terços da potência. O frio não assim tão enregelador mas brevemente isso seria um pequeno detalhe. Pegou num toalhão de banho, do qual fez um rolo, e colocou-o a tapar o espaço entre a porta e o chão. Não entraria nem sairia ar. A duas toalhas de rosto deu-lhes a mesma função vedante mas agora aplicadas à janela. Começava a ficar abafado. Despiu-se, deixando-se ficar em roupa interior, e estendeu-se de costas sobre a cama.
A cabeça já estava vazia. Já liberta da angústia das últimas semanas. Passára o momento crítico da hesitação. O ponto de não retorno. Convencera-se e afastára qualquer remorso do seu acto. Estaria livre e dormiria profundamente. Em breve começaria a sentir invádi-lo uma pesada sonolência e nada faria para lhe resistir. O sono retemperador dos espíritos, seja bem-vindo.
Levantou um pouco a cabeça e assegurou-se que sobre a mesa descansava o recado escrito para quem quer que fosse que o viesse tentar acordar.
Pois então, pensou, venha a mim o doce produto da combustão.

A quem isto encontrar e a quem de direito. Seja lá quem for!
Espero que compreendam este gesto que, enfim, veio para me salvar da angústia e apodrecimento da minha alma. Do meu "eu" há muito tempo apagado. Já não o suportava!
Agora, tomada a decisão, estou leve e, quem sabe, virá algo melhor. O desespero de vos ver desiludidos de mim levou-me, implacavelmente, à desilusão de mim próprio. Não me suportava.
O desespero auto-mutilativo não me era permitido por não aguentar em demasiado a dor. A decadência, o álcool, as drogas, a displicência de mim, apagavam-me para vocês. A mim, tudo isso me queimava e ardia no coração sem conseguir alienar-me.
Apenas peço desculpa por só agora conseguir chegar ao fim e vos ter desiludido tanto.
Até sempre e sempre vosso.

sexta-feira, julho 21, 2006

Ainda há pouco apeteceu-me dizer-lhes:

'Dasse, até que enfim!

terça-feira, julho 18, 2006

"..."

Não sei se já percebeste mas estou a ignorar-te!

Precisa-se

Presença tranquilizadora que harmonize o espírito.

Não há

  • uma faca com bom fio.
  • um cinto para 70kg.
  • uma varanda com suficiente altura.
  • um frasco com forte soporífero.

quarta-feira, julho 05, 2006

Vou viver com livres metas perdidas

Vou velejar contra lestas marés promissoras.
Venço vagas contagiantemente lustrosas mudando projectos.
Vagueio valas comatosas lendo milhentas propagandas.
Vomito vincadas considerações lixiviando munições poderosas.
Volatilizo vontades construídas longamente minando profecias.

Cancerosamente

Olham-se os dedos encardidos de anos a fio de fumo em fuga do cilindro de nicotina. Pensa-se no sabor desértico que envolve a boca e que antecede a acção poluidora nos pulmões. Acende-se o cigaroo manual e olha-se a mortalha a ser consumida pela combustão. Os olhos irritam-se a ponto de quase lacrimejarem o fumo invasor. Os dígitos sentem o calor que se aproxima irreversivelmente. A porção inferior do objecto de inconsciente prazer mórbido humedece de saliva que dissolve o amarelo tórrido dos fiapos de tabaco. Uma última aspiração que queima os lábios e as unhas. Está acabado o cigarro. Apaga-se. Outro virá.

quarta-feira, maio 24, 2006

Pressão

contínua no peito que me bloqueia a cabeça. Deixa-me pensar mas parece não me permitir agir.

terça-feira, abril 18, 2006

Descer

é sempre tão fácil!

quinta-feira, março 23, 2006

Cada vez mais...

Inútil!

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Ordem

Uma morte espera uma outra morte. Desta tudo depende. Para que esta seja natural e a outra libertadora terá aquela de ocorrer primeiro. Caso contrário, a última será desgostosa.